domingo, 14 de maio de 2017

Sete Sermões aos Mortos – Septem Sermones ad Mortuos

Este é um dos escritos mais instigantes e pouco conhecido que Carl Jung nos deixou, escrito em 1916. Quando estava vivo, ele fez uma publicação particular deste texto, como um pequeno folheto, com o intuito de distribuir somente para amigos próximos. Nunca desejou tornar este texto público, pois o classificava como um “pecado da juventude”.

Esse texto possui uma linguagem semelhante à que encontrada no Livro Vermelho, com a singularidade de que nos Septem o texto todo forma um conjunto autônomo, que transmitem as experiências e impressões de diversos eventos que Jung vivenciou entre 1913 e 1917.

Os Sete Sermões aos Mortos representam um grande resumo do que viria a ser toda a obra de Jung ao longo dos anos a partir de 1916; é como se fossem sugestões, lembranças, antecipações ou ideias do que ele viria a escrever ao longo de sua vida a partir de teses científicas. Nesse escrito vemos uma semelhança com o gnosticismo na escrita, onde todo o texto é construído por paradoxos que se contrapõem o tempo todo.

Para escrever o texto ele assume o pseudônimo de Basílides, que é um gnóstico do século II d. C. e usa termos gnósticos para o texto, como Abraxas, nome usado para designar Deus.

Para nossa alegria, depois de muita insistência do editor, Jung autorizou que os Septem Sermones ad Mortuos fossem incluídos como um apêndice em sua autobiografia “Memórias, Sonhos e Reflexões”. Em algumas partes do texto há fórmulas místicas, poemas e escritas com alto teor de abstração. Sendo que no final há um anagrama que permanece insolúvel até hoje. Creio que os Septem está disponível atualmente na internet para quem desejar ler. Segue um trecho:


“A sexualidade do homem é mais da terra; a da mulher, mais espiritual. A espiritualidade do homem é mais do céu, vai para o mais vasto. A da mulher, mais da terra, vai para o mais ínfimo. Mendaz e diabólica é a espiritualidade do homem que vai para o mais vasto. Cada um deve ir para seu próprio lugar. O homem e a mulher, quando não dividem seus caminhos espirituais, tornam-se diabos um para o outro, pois a natureza da criatura é a individualidade.”