segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Arrival

Alguém me disse certa vez que o que vai salvar este planeta é a Arte. E eu estou começando a concordar, especialmente se for a 7ª arte – o cinema. Quando você olha um filme desses, onde os seus conceitos de entendimento da realidade, funcionamento da consciência, linguagem e ciência são profundamente provocados a partir de conceitos extremamente simples, somos obrigados a repensar no que fizemos até agora, conosco e com os outros. Algumas pessoas se equivocam em achar que é a religião ou a política que vão salvar este planeta. Não, não é. Religião e política são dois conceitos desenvolvidos para manter a consciência humana presas em buscas que nunca serão alcançadas – não serão. São as duas grandes ilusões, ou mentiras, que a humanidade criou para si mesma, para não ir em frente. Afinal, o sofá da zona de conforto é ilusoriamente confortável demais... Neste filme, esqueça as histórias clichês a respeito de aliens invadindo a Terra ou entrando na mente de algum presidente americano para dominar o mundo – até por que nenhum ser evoluído vai querer entrar na cabeça do Trump! Rsrsrs. Mas sério. Recomendo altamente que assistam Arrival (A Chegada) quem ainda não viu. E, talvez, assistir duas vezes seja necessário, pois não é um filme para qualquer cabeça, a pessoa tem de ter a capacidade de realizar um pensamento abstrato e complexo durante o assistir. Sim, pois tanto os conceitos que são apresentados no filme quanto o modo como a história é contata são coerentes com a ideia que é mostrada no filme. Com certeza esse filme está no padrão de filmes como Cocoon (1985), O Segredo do Abismo (1989), Avatar (2009) e Contato (1997). Ainda bem que existem diretores de cinema e roteiristas, pois se dependêssemos dos sacerdotes, ainda estaríamos na Idade Média! Então, descansa, relaxa a mente e aperta o play.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017


Sexo e Religião na Música...

Em 1990 surge o grupo Enigma com seu álbum MCMXC a.D. (1990 depois de Cristo). Foi um escândalo para a época, pois as músicas de todo o álbum misturam tanto religião quanto sexo, os dois tabus que a sociedade "acatolicada" das Américas não consegue engolir sem pudores; chamam a atenção particularmente os três primeiros singles do disco (disponível no youtube na íntegra). As novas gerações precisam conhecer esse álbum! Imediatamente a igreja católica condenou (oba, oba, oba) o disco como herege e o proibiu na Europa. O vídeo clipe de "Principles of Lust" foi banido da MTV e da maioria das estações de TV, que também excluíram os vídeos de "Sadeness (Part 1)". O álbum em si foi banido em diversos países pela mesma razão, enquanto os críticos taxavam as músicas do álbum como blasfêmia. No entanto, a popularidade do álbum disparou até o número um em pelo menos 24 diferentes países em que foi lançado, alcançando o disco de ouro e de platina.
Ainda em 1990 Madonna lançou a música Justify my love. A canção causou polêmica internacional, devido ao vídeo da música de acompanhamento ser considerado sexualmente explícito (mais sugeria sexo do que mostrava, aliás, não mostrou nada!) e até mesmo proibida pela MTV. O clipe foi rodado em preto e branco e mostra Madonna caminhando pelos corredores de um hotel carregando uma mala, em dado momento ela é seduzida e levada a uma jornada de prazer, cada quarto parece esconder uma tara, um fetiche diferente e Madonna espertamente participa de todas essas fantasias, há referências a sexo lésbico, bissexualidade, dominação, homossexualidade e sadomasoquismo, mas é tudo mais sugerido do que mostrado.
O single também foi lançado como um vídeo único e se tornou o single mais vendido de vídeo de todos os tempos. Quando lançado, o single chegou ao topo da Billboard Hot 100 (o seu nono número um) e muitos outros charts no mundo inteiro. A música em si, apesar de ter batidas envolventes, passar um clima de sensualidade e ter um vocal grave e cheio de libido da Madonna, não tem letras explícitas. "Justify My Love" vendeu mais de um milhão de cópias e faz sucesso até hoje, sempre aparece nas listas de músicas mais sensuais da história.
Naquele ano, muitos muros foram derrubados e mais liberdade para criação cultural foi adquirida... Mas hoje, parece que a qualidade musical só caiu no mundo todo. Coisas boas estão sendo feitas, com certeza, mas nada que cause um impacto mundial na cultura do mundo. Parece que precisamos novamente invocar Lúcifer e o Sexo para dar uma estremecida nas bases para ver se as pessoas acordam, pois parece que todos estão vivendo numa anestesia sem precedentes. Muita liberdade se ganhou de lá para cá, mas o que estamos fazendo com isso? Estamos deixando que os opressores nos tornem novamente católicos, castos, recatados e do lar - e esta Idade Média não pode voltar a acontecer!