terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Soubells And Voices

Recomendo altamente este CD para aqueles que apreciam meditar. Todo o CD é conduzido por sinos de vários tons e timbres e a voz belíssima de Jane. Vale a pena, é o som mais especial que já ouvi em minha vida.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O Sonho da Alma


Meus caros amigos, esse corpo físico de vocês está se preparando pra aceitar a natureza cristalina e verdadeira de vocês mesmos, da sua alma, da sua condição Eu Sou. É o sonho. Ah, existem muitos outros sonhos, muitas outras coisas que vocês gostariam de fazer, mas o sonho verdadeiro ou o desejo verdadeiro da alma tratava-se da encarnação presente. Da encarnação presente. Não estar em dois lugares, mil lugares ou dez mil lugares de uma vez, mas se unificar novamente. Clareza bem aqui. Encarnar esse cristal – e quando digo cristal, não estou falando de pedras; estou falando que cristal significa claro – clareza, pureza. Então, essa natureza cristalina do que vocês chamam de alma está se preparando pra vir.

O sonho. O sonho assustador, porque vocês o vêm perseguindo. Vocês têm um trabalho em andamento, como Marianne diria, há muitas existências. Vocês têm estudado. Vocês iam às igrejas, criaram as igrejas. Vocês estiveram em sociedades místicas, organizações secretas e tudo mais. Mas, de certo modo, esses foram passos no caminho, talvez mesmo passos necessários ou passos de experiência. É hora de parar de dar esses passos.

Este seu corpo, este corpo está ficando pronto pra aceitar o Eu Sou. É uma estrutura cristalina verdadeira que nunca esteve no físico antes, mas ela está vindo. Precisa de clareza. Precisa de atitude. Precisa do sonho. E esse sonho é o maior de todos os sonhos. É o sonho da alma – estar junta e presente nesta experiência física; ser humana e divina simultaneamente, sem estar mais separada; estar nesta realidade, ser desta realidade com todo o eu. Este desejo da alma, se puderem sentir, é a alma dentro dela mesma. A alma dentro dela mesma.

A alma criou este aspecto que teria as experiências humanas antes que toda ela viesse. E deu a este aspecto humano, que vem tendo muitas, muitas existências, um enorme grau de liberdade e livre arbítrio. Mas, algumas vezes, a alma substituiu ou anulou algumas coisas dos humanos. Deu ao humano uma linha muito, muito, muito, mas muito longa. E esse humano é a alma, mas a alma em seu brilhantismo não enviou tudo de si dentro de si mesma logo de saída. A alma disse: “Pra me conhecer e me amar, vou mergulhar completamente dentro de mim.” E, nesse momento, este aspecto, este fragmento da alma, que entraria na experiência humana, seguiu em frente, preparando o caminho, iluminando a estrada ou ajustando as frequências pra que, enfim, a condição Eu Sou inteira pudesse estar presente dentro de si mesma.

Seu... Esse corpo que vocês têm, essa mente com a qual trabalham, esta é a existência, o receptáculo, o veículo pelo qual a alma chegará. Mas ela não forçará seu caminho pra entrar. Ela não pode forçar seu caminho para si mesma. Ela vai esperar pacientemente até que esta parte dela que é humana esteja pronta, tenha clareza, tenha a atitude e esteja disposta a recebê-la no corpo físico.

Vocês são a alma; mas vocês são também, de certa forma, uma sombra da alma. A alma está agora mesmo dizendo: “Paul, estou bem aqui. Eu sou você, você sou eu. Realmente não há separação, mas eu fui tão maravilhosamente inteligente que criei você, Paul, pra vir primeiro antes que todo o Paul viesse.” Ela disse: “Mas, Paul, eu amo você, porque eu me amo, então vou esperar até você estar pronto. Mesmo que pareça estar perdido, o que eu sei que você não estará, vou esperar até que você esteja pronto, Paul, porque, Paul, quando você disser que está pronto, então, eu saberei que estou pronta.”

Não temos espaço pra distrações, para “eles” ou para “os outros”. Não temos mais espaço nem paciência para mais etapas. Não temos tempo pra distrações. É agora. Bem agora. Bem aqui. Ponto final. A alma está pronta pra vir.

Ela quer vir nesse corpo, nesse ser, nesta experiência. Então, eu pergunto, querido humano do Paul, o que é preciso? O que é preciso pra isso? É por isso que estamos falando de sonhos. Este é o sonho da alma e também do humano. O que é preciso?

Eu disse pra se livrarem de todos os demais sonhos. Eles são frívolos. Foram distrações. Foram perda de energia, perda de tempo. Livrem-se deles. Liberem esses sonhos. Deixem só os sonhos verdadeiros, o sonho da alma e do humano. O sonho do Paul, o sonho da Joanne, o sonho do Terry ou de quem quer que seja. É uma dinâmica incrível que está acontecendo no momento. E, cara Linda, essa alma quer entrar neste corpo, e você precisar ter clareza quanto a si mesma.

A canalização completa você encontra em http://www.novasenergias.net/circulocarmesim/textos/liberdade_5.html

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O Homem da Terra - Recomendo


Um filme indispensável tanto para ateus, religiosos, gnósticos, agnósticos ou cientistas. O filme "The Man From Earth" é composto por uma narrativa de 90 minutos de puro ceticismo e desconstrução tanto da Religião quanto da Ciência. Um homem revela ter 14 mil anos de idade, mas tudo o que um grupo de cientistas e professores descobre é um ser com a mesma consciência de um homem comum que luta pela sobrevivência, sem qualquer lição metafísica ou teológica a oferecer.

O que o leitor pensaria se conhecesse alguém que dissesse ter 14 mil anos. Certamente duas opções viriam à mente: ou essa pessoa teria sérios problemas mentais ao acreditar na própria mentira ou pensaria estar diante de uma criatura que deteria potencialmente todo o conhecimento humano e universal, um ser de imensa sabedoria. Quase uma divindade.

Mas o filme “The Man from Earth” (2007) não vai por nenhum desses caminhos. Em um roteiro instigante de Jerome Bixby (roteirista e escritor de episódios de séries clássicas de sci fi como “Jornada nas Estrelas” e “Além da Imaginação”), o filme surpreende ao narrar a reação de um grupo de cientistas ao se deparar com um ser imortal destituído de qualquer preocupação metafísica ou teológica sobre sua condição. Ele apenas passou 14 mil anos sobrevivendo.

Além do brilhante roteiro, o filme “The Man From Earth” ganhou fama também pela permissão pública do seu produtor para que qualquer cinéfilo fizesse download da Internet. Ou seja, o filme é uma daquelas pequenas pérolas independentes que surge na indústria do entretenimento e que rapidamente se transforma numa obra cultuada.

O filme nos apresenta a estória de John Oldman (David Lee Smith) um professor universitário que inesperadamente decide se mudar para um destino ignorado. De improviso, organiza uma despedida com outros amigos professores da universidade em sua casa de campo. O grupo é formado por um biólogo, um arqueólogo, um historiador, uma especialista em textos bíblicos, um antropólogo e um psicólogo. Uma audiência perfeita para a grande revelação de John: ele vive há milhares de anos, desde a era paleolítica, sem envelhecer e com a mesma aparência em torno dos 35 anos.

Viver a tanto tempo lhe ensinou a primeira tática de sobrevivência: mudar-se a cada dez anos para que as pessoas não percebam que ele não envelhece.

O que vemos a partir daí é uma grande discussão sobre a natureza do homem e a razão de ser da existência de um ser tão espetacular: é uma mutação biológica? Um ser que vive fora do tempo? Um louco? Ele está dizendo a verdade? Se for verdade, seria uma maldição ou uma dádiva? O que diria a religião sobre um ser que tenha vivido tanto tempo? Se ele viu o que diz que viu, sua fé ainda prevalece?

Um ser de tamanha longevidade que tivesse acompanhado toda a evolução social, política, científica e espiritual da humanidade somente poderia ter uma visão em perspectiva tão imensa que traria todas as verdadeiras respostas ou a síntese de toda a jornada humana nesse planeta.

Mas o roteiro de Bixby e a direção de Richard Schenkman não deixam as coisas assim tão óbvias para espectadores que esperam por grandes teses que especulem sobre o sentido espiritual, místico ou teológico sobre o sentido da vida ao melhor estilo de filmes com clichês de autoajuda e autoconhecimento. A narrativa desafia o espectador em um verdadeiro jogo mental.

Ceticismo e Ambiguidade

Primeiro: a narrativa cria um ambiente tão cético e ambíguo que parece que jamais saberemos se John está realmente falando a verdade ou se tudo é um jogo mental proposto por ele para atingir o orgulho intelectual de cada especialidade científica ali representada.


Ele parece ter respostas lógicas para tudo, mas o problema é que as maiorias dos fatos históricos ou dados geológicos, geográficos ou antropológicos que John descreve constam nos livros científicos. Portanto, poderia ser tudo uma farsa. Porém, e ele nos dá a primeiro resposta que, de tão lógica, é chocante para nós: embora seja um ser imortal, ele foi prisioneiro de cada época em que viveu: Democracia, Terra redonda, o sistema heliocêntrico etc., tudo ele foi descobrindo inserido em cada época, com uma percepção cognitiva fragmentada, sem conseguir acumular o conhecimento. 

E, o que é mais chocante, todos os conhecimentos e descobertas científicas criaram descontinuidade ao invés de evolução. Ao final de 14 mil anos, John é tão ignorante quanto cada uma das especialidades científicas representadas naquela sala!

John apenas aprendeu uma lição: sobrevivência. Ao longo da História John foi adorado como divindade para depois ser odiado, temido e perseguido como aberração até desenvolver táticas para manter-se anônimo como, por exemplo, tornando-se um nômade.

Pós-Moderno: a crise das Meta-Narrativas

O filme “The Man From Earth” apresenta uma visão simultaneamente pós-moderna e gnóstica da existência humana.

A desconstrução que a narrativa faz do conhecimento científico lembra bem a hipótese pós-moderna dos filósofos franceses Lyotard e Derrida: retomando o pensamento lógico de filósofos como Wittigenstein, vão reduzir o conhecimento e a noção de verdade ao jogo de linguagens, à pragmática da comunicação que firma os vínculos sociais. Para eles, perguntar se um enunciado é falso ou verdadeiro não tem mais sentido para o sujeito pós-moderno. A questão é outra: saber se o enunciado tem legitimidade pela sua operacionalidade dentro de um sistema, pela sua performance. Ou seja, o enunciado “funciona”? Se sim, então ele é “verdadeiro”. O consenso não reside mais na verdade do enunciado (seja ele ético ou moral), mas na aplicação pragmática das idéias, na sua comunicabilidade, ou se quiser, na sua credibilidade. Ou seja, para estes pesquisadores a ciência nada tem a descobrir. Ela apenas cria jogos de linguagem com ideias e conceitos desconectados do mundo empírico (veja LYOTARD, Jean-Françoise. A Condição Pós-Moderna. RJ: José Olympio, 1998 e DERRIDA, Jacques. Margens da Filosofia. Campinas: Papirus, 1991.).

A ambiguidade do argumento central do filme (o ser imortal de 14 mil anos) é criada por esse ceticismo pós-moderno radical: o discurso de John é logicamente coerente, assim como de todos os especialistas presentes na despedida. É impossível ao espectador encontrar a Verdade, mas apenas jogos de linguagem que dependem mais da credibilidade da fonte emissora do que de uma prova empírica.

Por isso, John Oldman não possui nenhuma meta-narrativa para sua vida, isto é, não conseguir criar nenhuma lição, teoria (seja de ordem metafísica ou teológica) para a sua condição e para tudo que conheceu ao longo do tempo. Tudo se tornou fragmentário, pontual, descontínuo.


A única coisa que John realmente compreendeu foi o Mal. E aqui o roteiro de Bixby vai ao encontro de uma visão bem cética do Gnosticismo: se o sono e  a morte criam a ilusão de recomeços para o homem comum, ao contrário John parece ter sido condenado a uma pena pior que a morte – a imortalidade e a consciência de que o cosmos é um eterno retorno e de que todos nós somos prisioneiros dessa repetição. Seja o despertar de cada manhã ou a reencarnação seriam instrumentos para o cosmos renovar a ilusão de recomeços, novos dias e nascimentos.

Sem poder morrer, John será, de todos os homens, aquele quem de forma mais aguda confronta-se com o Mal, seja ele cósmico (a prisão) ou da natureza humana (da qual tenta fugir ao tornar-se um nômade).

Cristo e Buda

A única divagação de ordem mística a que Brixby se permite é quando John relata quando conheceu Buda e estudou com ele para aprender seus ensinamentos como a compaixão e o amor ao próximo. A partir daí, novamente o roteiro vai se inspirar em fontes gnósticas, principalmente a dos evangelhos gnósticos do Mar Morto ou de Nag Hammadi ao apresentar o Budismo como uma das influências não só do Cristianismo, mas como também da própria figura de Jesus Cristo.

Para surpresa de todos e desespero de Edith (a especialista em estudos bíblicos do grupo) John vai descrever como, 500 anos depois, volta ao Mediterrâneo, torna-se Etrusco, infiltra-se no Império Romano e vai para o Oriente Médio e pensa “por que não passar os ensinamentos de Buda de uma forma mais moderna?”. Para em seguida, descrever como se tornou um dissidente contra Roma e como os romanos ganharam.

Boquiabertos, todos na sala exclamam: “ele está dizendo que foi Jesus Cristo!”. John vai afirmar para a audiência chocada como todo o resto foi uma mitologia criada pelos homens, inclusive pregos e sangue (ele na verdade teria sido amarrado na cruz). “Pregos e sangue fazem parte da arte religiosa”, comenta cinicamente John.

“The Man from Earth” é um filme indispensável para religiosos, ateus, gnósticos, agnósticos ou cientistas. São 90 minutos de um jogo mental de desconstrução e ceticismo radical contra a Religião e a Ciência institucionalizadas.

Ficha Técnica

Título: The Man From Earth
Direção: Richard Schenkman
Roteiro: Jerome Bixby
Elenco: David Lee Smith, Tony Todd, John Billingsley, Ellen Crawford, Richard Riehle, Annika Petterson
Produção: Falling Sky Entertainment
Anchor Bay Entertainment
Ano: 2007
País: EUA